FUTEBOL DE FORMAÇÃO - O QUE É MESMO ESSENCIAL?
- André Adones

- 27 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 28 de jul. de 2025
FUTEBOL DE FORMAÇÃO - O QUE É MESMO ESSENCIAL?

No meio de tantas metodologias, tácticas e debates sobre resultados, por vezes esquecemo-nos da pergunta mais importante:
O que é realmente essencial no futebol de formação?
Partilho 8 princípios que considero indispensáveis neste processo:
1. Formar pessoas antes de formar jogadores
Tudo começa aqui. Não há talento que valha mais do que o carácter.
Ensinar valores, atitudes e comportamentos sólidos deve ser a base de qualquer trabalho formativo.
O futebol é uma ferramenta poderosa de educação.
2. Conhecer profundamente o jogador
Cada atleta carrega dúvidas, motivações, medos e inseguranças.
Uns lidam mal com o erro, outros com o excesso de confiança.
Há quem se esconda nas desculpas e quem precise de aprender a assumir responsabilidades.
O treinador que conhece verdadeiramente o seu jogador, consegue orientá-lo de forma mais ajustada.
Trabalhar o lado emocional e mental, a autoconfiança, o foco naquilo que se controla e o desenvolvimento da autorresponsabilidade é parte central do processo de formação.
3. O ambiente: ou potencia ou destrói
Mais do que uma frase feita, esta é uma verdade prática: o ambiente transforma tudo. Um ambiente positivo, com cultura de equipa, união, regras claras (sem exageros) e espírito de cooperação, multiplica o desenvolvimento.
Um ambiente tóxico, desorganizado, egocêntrico ou emocionalmente instável bloqueia até o maior dos talentos.
O ambiente é responsabilidade de todos, mas é o treinador quem o molda diariamente.
4. Comunicação e liderança com intenção
Não se lidera da mesma forma todos os grupos.
Nem se comunica da mesma maneira com todos os jogadores.
Liderar e comunicar exige sensibilidade, leitura e capacidade de adaptação.
A liderança coletiva deve guiar a equipa com clareza e direção.
A liderança individual respeita as diferenças e oferece a cada jogador o que ele precisa. " Liderar todos igual , de forma diferente".
5. Desenvolvimento como prioridade sobre os modelos de jogo do treinador
Os modelos de jogo são ferramentas.
Úteis, mas passageiras no percurso do jogador.
O jogador é o protagonista do seu processo , e esse processo vai muito além do modelo de jogo do treinador que muitas vezes são fechados e padronizados.
A nossa missão é ajudá-lo a evoluir como jogador inteligente, capaz de resolver os problemas do jogo, conhecer o mesmo com simplicidade, criatividade e autonomia e também orientação.
Ele vai experimentar diferentes processos e modelos. Mas o jogo ,e tudo o que ele tem inserido, é o mesmo. Ensinar o jogo é mais importante que o modelo de jogo do treinador.
Trabalhar e dominar as bases e os seus fundamentos é o mais importante.
6.Adversário pouco importa no treino
Muitas são as vezes que nós treinadores planeamos a semana de trabalho, os microciclos , em função do adversário e não priorizamos o desenvolvimento coletivo e individual.
O adversário faz isto, joga assim e assado... e nós na semana vamos trabalhar a estratégia e a tática em função disso. E o resto?
Não devemos dar importância ao adversário no treino.
Uma coisa é o treinador ter informação para no dia de jogo poder ajudar a equipa. Outra coisa é dedicar o tempo de treino em função disso exclusivamente.
O foco é a nossa equipa , os nossos jogadores. São muito mais importantes que quem está a nossa frente no próximo jogo. E se todos pensarmos assim acredito que quem ganha são os jogadores. É o jogo do curto prazo x longo prazo.
7. Jogar. Jogar muito.
O amor pelo jogo já vive dentro do jogador.
O que ele mais deseja é jogar.
Cabe-nos criar treinos simples, com liberdade, tomada de decisão, intensidade e feedback claro. Sem complicações desnecessárias.
Dar jogo a todos os atletas de forma equilibrada e sustentável em competição.
Mais jogo, mais aprendizagem, mais prazer. É assim que o atleta cresce e que a paixão se mantém viva.
8.Treinadores de formação ou de rendimento?
Nem todos têm perfil para trabalhar na formação.
Há treinadores mais de rendimento e outros de formação.
Dai o processo de o treinador se autoconhecer é fundamental.
Se o treinador é alimentado e motivado por resultados então deve se enquadrar e procurar contextos que assim o exijam.
Se é alimentado por desenvolvimento, por processo , então formar é o seu contexto.
Perceber o contexto , quem tem a sua frente , não copiar e aplicar o que se faz em escalões de rendimento é altamente importante.
Mas não se enganem, ensinar a competir, a ser competitivos, a ter essa atitude deve fazer parte do treinador de formação.
Concluir , que cada escalão de formação tem as suas especificidades e que mesmo dentro da formação existem variáveis importantes, mas não deixa de ser formação.
André Adones
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