E se o Mourinho , Klopp , Guardiola e Simeone fossem teus jogadores?
- André Adones

- 4 de jul. de 2020
- 6 min de leitura

E de um momento para o outro Mourinho , Guardiola, Klopp e Simeone deixam os bancos e passam a ser os teus jogadores !
Como os liderar e estimular?
Neste artigo vou abordar as necessidades emocionais como guias orientadores sob o tema da liderança!
Para isso imaginei treinar 4 treinadores TOP … deixam os bancos, retira-se idade ( uns 30 anos a menos) e passam a ser meus jogadores !
José , Pep , Jurgen e Diego…
Todos eles com características individuais nas 4 dimensões do treino diferenciadas, que os distingue evidentemente.
Vou deixar de parte 3 delas e focar essencialmente na dimensão Psicológica
Vamos então caracterizar cada um deles :
José - O José é um atleta altamente competitivo, tem em si uma liderança quase que inata. Sente-se bem em comandar e busca sempre o resultado final como motivação.
Pep – O Pep é um atleta que tem uma capacidade de adaptação enorme. É um atleta com enorme versatilidade e adora receber estímulos novos e experienciar situações diversas.
Jurgen – O Jurgen é o atleta altamente emocional. O seu ponto de referência máximo está na equipa e nas relações que estabelece com todos de forma amigável e divertida.
Diego – O Diego é um atleta super empenhado e organizado. Sabe perfeitamente que passos dar em campo privilegiando sempre o conhecimento sobre as coisas antes de fazer algo.
Pré época
Num novo clube o primeiro desafio é conhecer os atletas nas 4 dimensões do treino/ jogo.
Existem 3 mais visíveis que são a técnica ( como executa) a tática ( o que decide) e a física ( capacidades condicionais e coordenativas) e 1 mais difícil de se ver pois é profunda e esconde-se com maior facilidade que é a psicológica ( emoções, pensamentos, processos mentais ).
Neste campo psicológico o treinador tem de ter uma capacidade meia que detetive para desvendar no fundo quem está á nossa frente.
Durante as primeiras semanas de treino deparo-me com :
-O José a ser o que o caracteriza ou seja um atleta altamente competitivo. Dá o seu melhor e quando perde ou falha tem um descontrolo emocional colocando-se mais em efeito do que em causa culpando outros e exigindo perfeição. Isto nos primeiros dias trouxe alguns dissabores perante os outros atletas que também lhe apontavam o dedo nos erros.
-O Pep sempre curioso. Fazia muitas perguntas se podia fazer coisas diferentes . Quando conhecia um exercício vinha falar comigo com questões de forma a ter novidades nos exercícios, queria saber tudo! Sempre que vinha com um exercício novo ele regalava-se , queria experimentar logo como se de um brinquedo se tratasse. Quando se repetia algumas vezes o exercício ele ficava meio aborrecido.
- O Jurgen brincalhão, sempre de bom humor. Era o primeiro a ir buscar cantis se alguém tivesse sede, o primeiro a brincar e a iniciar conversa com os demais, cumprimentava os colegas de forma calorosa antes dos treinos e no fim dos mesmos. Comigo esteve sempre disposto a ouvir e durante o treino aconselhava muito os outros de forma a ajuda-los positivamente. Tudo o que fosse ambiente tenso desanimava-o.
- O Diego mais sério e fechado. No treino o empenho era máximo, não falava muito contundo nos exercícios sempre alerta e a comunicar com os outros para nada falhar. Tal como Pep ele questionava-me muito embora perguntava-me para ter certezas do que fazia , se estava certo. Queria dominar e conhecer o exercício ao pormenor. Quando fazíamos algo novo ele fechava-se mais tendo uma postura mais observadora e tímida na ação.
A pré – época foi passando e as relações ficaram mais estreitas entre todos.
Fizemos alguns jogos, não existiram empates , só ganhamos e perdemos.
Nas vitorias José delirava, o ego e a satisfação não cabia dentro do balneário nas derrotas era agressivo e apontava falhas.
Pep aceitava a derrota e disfrutava da vitória de forma tranquila querendo logo o próximo jogo.
A ganhar Jurgen felicitava todos um a um a perder nunca deixava que ninguém ficasse abalado procurando conforta-los.
A ganhar ou a perder Diego questionava se estava tudo certo no que fez naquilo que eram as suas funções.
A pré-época está a chegar ao fim e como treinador tenho em posse aquilo que são as necessidades emocionais de cada um! Sei como cada um é com os outros, como se relaciona e comunica e como reage a vitoria e derrota, ao acerto e ao erro.
Percebi que José o atleta competitivo tinha uma necessidade extrema de ser reconhecido e valorizado por tudo o que fazia. O resultado era fundamental para ele porque lhe dava um valor de reconhecimento. O pensamento dele era “Se ganho, se marco golos, se assisto, se desarmo sou valorizado e reconhecido pelos demais “
Ele gostava de aprender e de ganhar, queria aprender para poder ganhar e fazer as coisas de forma a chegar a esse reconhecimento.
O Pep o atleta curioso e de fácil adaptação tinha uma necessidade de vivenciar experiências e ter novidades. Cada jogo novo, cada exercício novo, cada situação nova o motivava, cada alteração de posição ou sistema o deixava regalado. Queira ganhar como os outros, mas ganhando de forma diferente, queria era jogar, sempre cheio de energia.
Ele gostava de aprender e experimentar, queira aprender para fazer coisas novas e ter ideias acerca das coisas todas relacionadas com o jogo.
O Jurgen o atleta emocional tinha uma necessidade de ter uma ligação e conexão com todos. Em todos o treino procurava falar com todos, chegar a toda gente, bem educado e simpático, procurando sempre ser útil a todos proporcionando um ambiente altamente harmonioso no treino.
Ele gostava de aprender e de se relacionar , queria aprender para puder ajudar os colegar e ganhar era importante para ele pois assim todos se sentiam felizes.
O Diego o atleta sério e disciplinado tinha uma necessidade de ter segurança e conhecimento sobre o que fazia . Em cada situação que dominasse e tivesse certaza ele soltava-se mais e quando surgia algo novo incomodava-o pois não sabia bem do que se tratava.
Ele gostava de aprender e ter certezas, queria aprender para poder estar seguro do que fazia , a organização e ordem eram pilares para ele.
Durante a época como já conhecia os meus atletas sabia o que os deixava pior ou melhor assim como o que os motivava e desmotivava.
Sabia o que estava por detrás das suas reações e comportamentos.
Estabeleci canais de comunicação diferenciados satisfazendo as suas necessidades.
Por exemplo:
José - reconhecia-lhe o valor pelo que fazia bem e procurava corrigi-lo sem lhe retirar valor termindando com feedback de valorização
Pep – comunicava com ele para poder acrescentar algo novo – lhe maior versatilidade, desafios e novidade
Jurgen - falava abertamente e com emoção para ambos conseguirmos manter a equipa bem e contava com o seu contributo
Diego - já sabia que antes do cada exercício ou jogo tinha de lhe fornecer a informação necessária e com antecedência para ele poder dominar e controlar as situações com certeza do que fazia.
Como treinador quis conhecer melhor o atleta para posteriormente atacar os seus corações e a sua cabeça! Observava muito para perceber de que forma eram as caraterísticas emocionais e mentais de cada um!
A missão de ser treinador no fundo é uma tarefa bastante humanitária de dar e de servir os seus através da sua metodologia , comunicação e relação.
Para cumprir essa missão é necessário um conjunto de ferramentas e acima de tudo saber utilizar essas mesma ferramentas que nos vai permitir cumprir essa missão!
Não basta ter um modelo e uma ideia de jogo XPTO nem uma metodologia XYH do melhor. Tão ou mais importante é perceber como vamos fazer com quem a vai executar e para isso acontecer é de uma necessidade extrema conhecer as profundezas de cada um.
O que motiva cada um, como falar com cada um, como valorizar cada um.
As ferramentas que temos a disposição são por exemplo:
RESPEITO pela individualidade e uma dose enorme de EMPATIA para perceber cada atleta/homem de forma distinta.
São valores humanos de extrema importância seja no mundo do treino ou da vida.
Todo o atleta seja ele o José , o Pep, o Jurgen e o Diego gosta de ganhar, de aprender, de jogar , de treinar têm é necessidades emocionais completamente distintas !
As necessidades emocionais são essencialmente o que as pessoas / atletas necessitam de satisfazer para serem e sentirem melhores em relação a diferentes situações.
Na área do treino permite – nos como treinadores conhecer melhor o que está por detrás de cada um como os seus comportamentos e motivações.
Para se satisfazer o atleta / pessoa é necessário ter um conhecimento profundo destas necessidades emocionais de forma a saber como comunicar, liderar e valorizar o atleta.
Finalizo dizendo que todas as 4 necessidades emocionais estão presentes numa pessoa/atleta o que acontece é que tendemos mais para 1 ou 2 que para as demais e podem ser alteradas de acordo com os momentos e desenvolvimento.
Pode se aplicar também dentro do contexto coletivo quando se necessita de satisfazer uma necessidade emocional perante determinado momento.
Quando satisfazemos uma delas podemos ativar outra necessidade.
Por exemplo se der ao Diego a segurança necessária ele pode ativar uma necessidade posteriormente de maior conexão com os demais.
Coletivamente pegando num acontecimento recente, se ao Bruno Lage tivesse sido dado maior segurança e certeza por parte da direção neste mau momento ele poderia ter passado essa necessidade para equipa que posteriormente poderia permitir ativar uma necessidade maior de ligação / pertença com o grupo ou de reconhecimento e valor.
Este modelo é chamado de Modelo Laser e é um Meta- pograma existente na Parentalidade Consciente. O autor é o coach Pedro Viera.
Até breve
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